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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Cactos à venda deixam a Caatinga mais pobre

Cactos com deformações morfológicas custam mais. São alterações que podem ter ocorrido por ataque de herbívoros ou mesmo alguma doença ou modificação genética no fenótipo da planta. Os alterados não são encontrados com frequência na natureza e, por isso, são os mais valorizados (cerca de R$ 30,00).
Cactos com deformações são considerados de maior valor nas estradas do Nordeste. crédito: Vinícius Messas Cotarelli
 

Os cactos não são cultivados e, os próprios vendedores revelam, até mesmo as espécies colunares (como o mandacaru, facheiro e xique-xique), que podem permanecer vivos após a retirada de um braço (ramo), são derrubados. O pesquisador Marcos Vinicius Meiado, do Laboratório de Sementes (LAS) da Universidade do Vale do São Francisco, atesta. “Não existe manejo sustentável dessas espécies que têm apelo comercial”. E pode ser ainda pior. ”Algumas plantasm como a coroa-de-frade, quipá e palmatória são retiradas integralmente da natureza (o indivíduo todo)”, relata.

Um ecossistema tem um equilíbrio a ser preservado, ensina Marcos Meiado. “Todos os cactos da Caatinga produzem frutos com polpa, que são utilizados como recurso alimentar para a fauna local, principalmente na estação seca”, conta. Outro aspecto na vida dos cactos é que o seu ciclo de vida cactos é lento e demoram décadas para que um cacto chegue à idade reprodutiva.

O quadro é ruim e pode ser pior. “Existem alguns estudos feitos com cactos de outros ecossistemas que demonstram que é necessária a produção de mais de 10 milhões de sementes pra que estas germinem e uma única planta consiga chegar à idade adulta”, relata o professor da Univasf. Dessa forma, a retirada desses indivíduos das áreas naturais, mesmo que não sejam retirados na sua totalidade, pode trazer prejuízos de médio em longo prazo.

A violência contra a natureza é encontrada perto e longe dessa mãe de todos nós. Bem, bem distante do sertão seco, na temperatura do ambiente onde você está lendo essa reportagem, na boa (e má) web, também é possível se encontrar diferentes sites, nacionais ou estrangeiros, com cactos à venda. Nem todas as espécies são nacionais, algumas exóticas mexicanas são populares (e até mesmo cultivadas para esse fim). Esse mercado revela o grande interesse que esses exemplares que gostam de água, com parcimônia, despertam.

Todos interessados em uma família com cerca de 1.300 espécies. A exceção da Rhipsalis baccifera, todas as outras espécies são americanas. O Brasil abriga o terceiro centro de diversidade das cactáceas, depois do México e do sul dos Estados Unidos, da região andina que inclui a Bolívia, a Argentina e o Peru. O Brasil possui 184 espécies encontradas apenas em nosso territória. As regiões com maior diversidade, no Brasil, são Bahia e Minas Gerais, além do Sul do Rio Grande do Sul.

As regiões mais importantes, quando o assunto é diversidade de espécie, são os sertões da Bahia e de Minas Gerais, além do extremo sul do país, no Rio Grande do Sul. crédito: excerto do folder do MMA

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